Tráfico de animais silvestres e Saúde Pública - Ecoo

Tráfico de animais silvestres e Saúde Pública

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Por Isabela Valukas Gusmão – Jornalismo – Universidade Metodista EAD – 

Esta matéria faz parte do PEPE (Programa Envolverde de Parcerias Estudantis)  

Responsável por 75% das doenças infecciosas emergentes nos humanos, segundo um estudo publicado pela The Royal Society, as zoonoses são doenças disseminadas através do contato entre animais e homens. Um dos fatores que colaboram substancialmente com esse cenário é o tráfico de animais silvestres.

Terceira atividade ilícita do mundo, sendo precedida apenas pelo tráfico de armas e drogas, o tráfico de animais é uma prática em ascensão, angariando inclusive mercados virtuais em diversas redes sociais populares.

O Brasil, por conta de sua vasta biodiversidade, é um dos países mais procurados pelos traficantes. Além disso, o crescimento populacional que estimula os indivíduos a fixarem residência e a buscarem por víveres em locais cada vez mais longínquos dos centros urbanos, aliado às ações predatórias do homem no meio ambiente, levam à degradação da fauna e flora brasileiras.

Esse mercado que movimenta cerca de 3 bilhões de dólares no Brasil por ano, de acordo com a Renctas, oferece grandes riscos à Saúde Pública. Quando um animal silvestre é retirado de seu habitat natural, além de causar sérios desequilíbrios ambientais nos locais de retirada e entrada, o animal, inserido como pet de estimação ou utilizado para fins científicos em um ambiente diverso e inadequado, tem seu contato com os seres humanos estreitado e pode elevar os riscos de contaminação por zoonoses que antes não acometiam aquela região.

Uma das zoonoses mais comuns é a cladimiose aviária endêmica, também conhecida como psitacose. Estudos revelam que 90% dos pacientes com essa zoonose foram expostos a pássaros. Essa doença que frequentemente é confundida com uma simples gripe devido aos seus sintomas inespecíficos pode passar despercebida pelos profissionais de saúde, visto que, por não se tratar de uma doença corriqueira, os postos de saúde, bem como seus profissionais deparam-se com um grande desafio para fornecer diagnóstico precoce e preciso para o indivíduo acometido. Dados do IBGE apontam que os casos de psitacose são subnotificados, ou seja, o número de casos é superior ao número de registros que os órgãos de saúde brasileiros possuem.

Segundo apontado em palestra organizada pela agência Envolverde sobre a temática do tráfico de animais, disponível no canal da agência no YouTube, um dos jornalistas convidados, Dimas Marques, responsável pelo Fauna News, destacou que as aves (araras, papagaios, beija-flores) são os bichos mais traficados, elas representam de 80 a 90% do total, seguidas pelos répteis (iguanas, jiboias, tartarugas) e pequenos mamíferos (macacos, roedores). As zoonoses associadas à algumas espécies exóticas apresentam agentes etiológicos nunca antes identificados o que torna ainda mais difícil a situação para a Saúde Pública.

Em 2020, a população mundial, encontrou-se sob os efeitos da COVID-19, causada por um tipo de coronavírus. Apesar de sua origem não estar relacionada ao tráfico de animais, ela é oriunda da exposição e do convívio de animais silvestres com seres humanos. Pesquisas recentes indicam que o vírus desencadeador da pandemia é comumente encontrado em morcegos, espécie consumida como iguaria pelos habitantes de Wuhan.

Para que ocorrências desse tipo sejam evitadas, os jornalistas Dimas Marques, já mencionado anteriormente e Maristela Crispim, da Agência de Conteúdo Eco Nordeste, sugerem que a legislação ambiental deve ser mais robusta e apoiar, através de propaganda positiva e educativa, destinação de recursos e outras ações, órgãos como o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (IBAMA) e o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) que trabalham em favor da preservação do meio ambiente.

Para além do combate ao tráfico, de acordo com a pesquisadora Tânia Raso, da Faculdade de Medicina Veterinária da USP, em estudo sobre a cladimiose aviária endêmica, é preciso rever a legislação sanitária que neste contexto ainda é falha, não há regularização sobre aves pet, por exemplo, normas são necessárias para que o manejo sanitário seja adequado.

#Envolverde

 

 

 

 

 



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