Relatório aponta 4 tendências para o mercado de energia - Ecoo

Relatório aponta 4 tendências para o mercado de energia

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A boa notícia é que todas contemplam a preservação dos recursos naturais

Todos os anos a Statkraft desenvolve um relatório internacional, que está em sua 5ª edição, o Statkraft Baixas Emissões – Cenário 2020. O estudo destaca as tendências no mercado global de Energia para uma transição energética até 2050, e faz análises com base em modelos internos e estudos aprofundados de fontes externas. O relatório deste ano indica quatro tendências para o mercado de energia nos próximos anos.

1) Descarbonização e quedas dos custos de geração de energia renovável

De acordo com o estudo, estamos vivenciando uma revolução. Quando comparadas com a energia fóssil, as despesas para a construção de novas usinas de energia renovável diminuem. Prevê-se que os custos para novos empreendimentos de energia solar e eólica irão reduzir a ponto de superar as usinas de carvão e gás já construídas.

Em diversos países, já é mais barato instalar a produção de energia renovável do que construir novas capacidades. Isso promove um forte impulso em todo o mundo. Os combustíveis fósseis estão sendo superados pelas energias renováveis.

Vários dos maiores sistemas de energia do mundo estão sendo descarbonizados. A Noruega está em uma posição especial, com um sistema de energia virtualmente livre de emissões. No Reino Unido, há dez anos, o carvão era responsável por 30% a 40% do fornecimento de energia; hoje, a participação do carvão é de apenas 2%. Nos Estados Unidos, a geração de energia a carvão caiu 16% em 2019. A redução correspondente na União Europeia (UE) foi de 24%, seguida por uma queda de 32% no primeiro semestre de 2020.

Espera-se um crescimento substancial da capacidade solar fotovoltaica globalmente. O relatório estima que a capacidade será 24 vezes maior em 2050 do que é hoje (14.100 GW em 2050).

2) Redução das emissões por meio da eletrificação direta de transportes, edifícios e indústria

A queda nos custos de geração de energia renovável, juntamente com a diminuição dos custos das baterias, torna cada vez mais atraente a redução das emissões por meio da eletrificação direta de transportes, edifícios e indústria.

O estudo da Statkraft prevê que, no Cenário de Baixas Emissões, a eletricidade cobrirá 43% da demanda global de energia em 2050, em comparação com cerca de um quinto hoje.

Os custos cada vez menores da energia solar e eólica significam que a eletrificação será a medida climática mais econômica em muitos casos. Para que o mundo tenha sucesso na redução das emissões, a eletrificação em setores como edifícios, indústria e transportes é crucial.

No Cenário de Baixas Emissões, a demanda por energia elétrica dobrará no período, crescerá em média 2,5% ao ano. A participação da eletricidade no setor de transportes será a que mais crescerá no Cenário de Baixas Emissões, com 27% em 2050, partindo de um ponto inicial muito baixo de 1%. Atualmente, o petróleo é responsável por mais de 90% do consumo de energia.

Quedas rápidas de custo são observadas para baterias – movidas por um número crescente de veículos elétricos. Automóveis de passageiros, ônibus urbanos, vans e veículos de duas e três rodas serão eletrificados rapidamente.

3) Descarbonização por meio da utilização de hidrogênio verde e amônia

Já a redução de custos de energia renovável, concomitante com a eletrólise, tornará a descarbonização atraente, por meio da utilização de hidrogênio verde e amônia, para áreas que são difíceis de eletrificar diretamente.

O hidrogênio renovável e a amônia são soluções climáticas atraentes em situações em que a eletrificação direta é um desafio. Vários países aumentaram seu enfoque no papel do hidrogênio em 2019, e a UE lançou sua própria estratégia para o hidrogênio em 2020.

A descarbonização por eletricidade direta não é adequada ou economicamente viável em alguns setores e aplicações. Os exemplos seriam o transporte de cargas pesadas em grandes distâncias, processos de aquecimento de alta temperatura e químicos na indústria. Nesses casos, uma combinação de hidrogênio livre de emissões, bioenergia, captura de carbono com utilização/armazenamento, melhorias de eficiência energética e economia circular reduzirão as emissões de gases de efeito estufa. Conforme o custo da eletricidade renovável diminui, espera-se que o hidrogênio da eletrólise se torne cada vez mais competitivo em comparação com as alternativas fósseis nessas áreas.

No Cenário de Baixas Emissões, o hidrogênio livre de emissões cobrirá 6% da demanda total de energia final no mundo até 2050.

4) Interação entre os setores

O aumento da interação entre os setores de energia por meio de soluções inteligentes dará ao sistema de energia mais flexibilidade e, assim, permitirá uma maior participação de energia renovável variável.

A interação setorial, em seu sentido mais amplo, relaciona-se a como todos os setores com alto consumo de energia estão mais intimamente ligados ao setor elétrico.

A demanda por energia dos setores de edifícios, indústria e transporte será muito mais flexível no futuro do que a demanda tradicionalmente vista no mercado de energia, e o acoplamento do setor, portanto, mudará completamente a dinâmica no segmento de Energia.

No setor de Transportes, o carregamento inteligente pode mover uma parte significativa da demanda de energia para horários do dia com alto consumo de energia solar e eólica e/ou pouco outro consumo. Também será economicamente viável que as baterias devolvam eletricidade à rede. Uma demanda mais inteligente e flexível, como carregamento inteligente, apresenta uma oportunidade viável para introduzir quotas muito maiores de energias renováveis no mix geral de geração de energia.

O acoplamento do setor por meio da eletrificação de edifícios oferece benefícios semelhantes aos sistemas de energia.

O carregamento inteligente de carros elétricos e o aquecimento inteligente de edifícios serão cruciais para a flexibilidade de curto prazo. Isso pode oferecer flexibilidade dentro de 24 horas, mas não resolverá a necessidade de mover a energia por longos períodos (flexibilidade de longo prazo) quando há pouco vento e sol durante vários dias. A energia hidrelétrica renovável e flexível será capaz de cobrir a necessidade dessa flexibilidade de longo prazo.

 

 

 



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